Paradigmas e parâmetros são questionados

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A necessidade de caixa e de resultados tem feito gestores repensarem os conceitos estabelecidos quanto à fermentação e leveduras, com o entendimento de que certo é o que dá resultado, maior rendimento e mais receita para a empresa. “De que adianta ter todos os argumentos técnicos e belíssimos relatórios se os resultados são medíocres e a empresa está deixando de ganhar dinheiro?”, provoca Josias Messias, presidente do Pró-Usinas.

levedura MSBUm exemplo é a questão das leveduras, que é o principal fator para a conversão de ART em etanol mas que até recentemente não recebia quase nada do investimento por parte das usinas. Números do mercado dão conta que mais da metade das usinas brasileiras ainda utilizam fermento de panificação ou o fermento originado de outras unidades, um quarto apenas começa a safra com leveduras comerciais e nem 10% fazem uso de leveduras selecionadas do próprio processo, as quais costumam ser mais produtivas e predominantes. “Apenas a gestão correta das leveduras representa um ganho médio de 2 pontos percentuais no rendimento fermentativo da usina ao longo de toda a safra, enquanto representa um custo inferior a 5% do ganho proporcionado.

Nos últimos cases da MSBIO o payback tem sido de apenas 3 dias”, informa Teresa Cristina Vieira Viana, diretora técnica da MSBIO, empresa do Pró-Usinas especializada em seleção e introdução super cepas de leveduras.

Outro item que está sendo colocado em cheque refere-se aos parâmetros de processo, afinal todo indicador é relativo, só faz sentido dentro da correlação e do contexto próprios.
Temos o exemplo de uma expressão utilizada pelo professor José Otamar Falcão de Morais, uma das maiores autoridades em pesquisa de fermentação e microbiologia no mundo, que afirmava categoricamente que “rendimento fermentativo superior a 90% não era possível, portanto se fosse obtido seria uma mentira”. Faz sentido, dentro do contexto da época. Hoje, ao contrário, é contraproducente aceitar um rendimento fermentativo menor do que 90% na média de toda a safra, mesmo com as atuais dificuldades. “A usina que não alcança 90% precisa repensar sua fermentação pois possivelmente esteja perdendo dinheiro”, concorda Lina Silber Schmidt Vitti, especialista do Pró-Usinas em parâmetros que influem no processo de fermentação etanólica.

Lina inclusive sugere a revisão dos números envolvidos no processo de fermentação. Para ela o primeiro passo é checar se os números são consistentes, ou seja, que estes representem a real conversão em etanol nos tanques. Segundo, checar se os números são realmente bons diante do potencial representado pela realidade da usina e não apenas pelo benchmarking.

Afinal cada usina representa um ambiente particular. Terceiro, checar quais são os indicadores de outros setores da produção que de fato impactam o processo de fermentação. “Mais importante que a quantidade de indicadores é a qualidade destes e a capacidade da equipe em interpretá-los e atuar a partir deles”.

Leia a matéria completa na edição 265 do JornalCana

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